terça-feira, 16 de outubro de 2007
Lado B: Um novo movimento estudantil merece um novo DCE! Unificar a oposição e lutar em defesa da Universidade Pública!
Os novos ventos...
No primeiro semestre desse ano, os estudantes da USP foram protagonistas de um grande e importante processo de mobilização. Milhares de estudantes, junto com funcionários e professores, se mobilizaram para barrar os decretos de Serra, que feram profundamente a autonomia universitária. Assembléias históricas em dezenas de cursos e unidades da capital e do interior, a reitoria ocupada por quase dois meses em defesa da universidade pública e uma greve forte das estaduais paulistas, sustentaram um poderoso processo de luta que “pegou da calças curtas” reitoria e governo, desnudando frente à sociedade a crise da educação no país.
Os resultados da mobilização foram concretos. Parte importante dos decretos que acabavam com a autonomia caíram, conquistamos a ampliação da moradia, do bandejão, reformas de prédios, contratação de professores, e para além dessas vitórias, o exemplo de nossa luta foi seguido de mobilizações por todo país, derrubando até um decreto, muito parecido com o de Serra, no Paraná. Mas talvez o saldo mais importante desse processo, pelo seu caráter transformador e duradouro, tenha sido o ressurgimento e a construção de um novo movimento estudantil, democrático, forte e independente de qualquer governo ou entidade falida. Este saldo pode significar a certeza das lutas e vitórias que virão!
O DCE da USP na contramão...
Se o movimento dos estudantes ganhou grande adesão e força, isso se deu completamente por fora e contra a atual gestão do DCE da USP. O DCE extremamente afastado dos cursos, burocratizado e com uma política “duvidosa” de defesa da universidade pública, se mostrou totalmente incapaz de cumprir com seu papel. Num processo de grandes debates, discussões e ações, o DCE “cruzou os braços”. Não esteve no interior, na EACH, nem mesmo no Butantã. Em momentos decisivos da greve e da ocupação, foi um obstáculo que tivemos que ultrapassar. Mas isso não aconteceu por acaso, o DCE que é atrelado a UNE, foi um espelho dessa entidade na nossa mobilização. Por apoiar a Reforma Universitária do governo Lula, que também decreta o fim da autonomia nas universidades federais e por não estar comprometido com a defesa do ensino público, não enviou sequer uma moção de apoio à ocupação, e chegou ao cúmulo, de um diretor do DCE tentar negociar por fora do movimento, com a reitoria, nossa pauta de reivindicações.
É necessário dizer que foi negando esses velhos métodos e política que o movimento da USP mostrou o caminho da construção do novo movimento estudantil. Milhares de estudantes já disseram não a este DCE nas maiores assembléias da história dessa universidade. Agora, nas eleições, é necessário deixar definitivamente para trás o velho, e construir o novo!
A universidade pública em perigo...
O DCE da USP precisa estar à frente da resistência às ameaças colocadas para a universidade pública. Nacionalmente o governo Lula está implementando uma reforma universitária que retira verbas da educação, cria cursos à distância e atrela ainda mais o ensino, a pesquisa e a extensão ao mercado. No plano estadual, a realidade não é diferente, o governo Serra, que tentou acabar com a autonomia universitária no 1º semestre, agora está preparando um projeto chamado “Univip”, que visa expandir a universidade, sem expandir os recursos, entregando nas mãos da iniciativa privada a responsabilidade pelo financiamento de cursos e unidades.
A forma como é estruturado o gerenciamento da universidade, suas instâncias de deliberações, enfim, sua estrutura de poder, são parte de uma discussão fundamental. Pois da forma como hoje essa universidade funciona, facilita e muito a implementação desses projetos de privatização. Uma ínfima camada de professores titulares, ligada às fundações privadas decide por quase tudo na universidade. O V Congresso da USP, um dos saldos da greve e ocupação, que acontecerá em 2008, tem que ser construído para se contrapor a essa estrutura vigente. Este Congresso, que vai ser de toda a comunidade universitária, deve levantar a bandeira de Diretas para Reitor, eleições diretas para composição paritária em todos os órgãos da universidade, a bandeira da universidade democrática e voltada para os interresses da sociedade, dos trabalhadores e da população mais carente. A construção do V Congresso é uma tarefa de primeira magnitude, e a atual gestão do DCE já provou que não podemos contar com ela na luta em defesa do caráter público da universidade, quanto mais para avançar em sua democratização.
Unir a oposição pra mudar o DCE...
A atual gestão do DCE deve novamente concorrer às eleições. Essa gestão, que não esteve na luta contra os decretos, afastada dos estudantes e CA´s, não pode vencer novamente se queremos que a entidade geral dos estudantes da USP, reflita na forma e no conteúdo, ou seja, com ampla participação e posição clara de defesa da universidade pública, o principal processo de mobilização e discussão que essa universidade passou nos últimos tempos. Sendo assim, o movimento Lado B faz um chamado a todos os estudantes, membros de CA´s, movimentos e organizações de esquerda, que querem um outro DCE, a construir a unidade, derrotar a atual gestão e fazer jus ao novo movimento estudantil que surgiu democraticamente na luta em defesa da autonomia universitária!
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